Dior and I

Nos anos 50, o francês Christian Dior revolucionou a moda. Mas ele não começou do nada. Por muitos anos Dior ocupou seu tempo viajando e conhecendo a Europa, e depois foi obrigado a se cuidar em razão de uma grave doença. Aos 30 anos de idade, já recuperado, começou a desenhar croquis para o jornal Figaro Illustre. Somente aos 33 anos virou assistente de um estilista suíço, Robert Piguet.

Interrompido pela II Guerra Mundial, Dior foi obrigado a servir como soldado. Em 1941 retomou os trabalhos com moda, e reencontrou muita gente do ramo, onde fez amigos.

Em 1947 conseguiu realizar o sonho de ver sua primeira coleção apresentada, o que recebeu o nome, pelos jornalistas da época de New Look. Estava criado o mito.

Dior havia recriado o luxo das roupas femininas, perdido com as guerras mundiais. O que antes eram espartilhos apertados e saias longas demais, durante a guerra virara aventais, cortes retos e vestidos práticos para o trabalho da mulher. Tudo muito revolucionário e conveniente, coincidindo com a ascensão de Chanel ao mercado da moda.

Mas para Dior, era hora de recriar a elegância e beleza, inspirada em flores e cálices, para também celebrar os tempos de paz.

Dior usava mais tecido que o comum para a época, e apesar de críticas, logo virou sensação. O look mais famoso da época seria o tailleur Bar. Casaco de seda bege acinturado, ombros naturais e saia plissada quase na altura dos tornozelos. Como adornos, luvas, chapéu e salto.

Mais de 60 anos depois, a Maison Dior (Casa Dior), ainda recria o glamour criado pelo estilista imortal.

Porém, em 2011, após comentários ofensivos e preconceituosos de seu então estilista principal (John Galliano), a marca viu-se obrigada a trocar de artista.

Com apenas 8 semanas para criar e apresentar toda uma coleção, o belga Raf Simons aceita o desafio.

É a partir daí que o filme Dior e eu (Dior et Moi) conta sua história.

Você poderia esperar muitos chiliques e ataques de celebridade num filme que fale de um padrão de luxo e preocupação com a aparência tão icônicos como da griffe Dior. Mas positivamente irá se surpreender.

Sem dúvida que encontrará os traços já esperados do cliché do mundo da moda, mas também encontrará Florence, uma costureira batalhadora e bem humorada. Monique, outra costureira, considerada uma das melhores do mundo. Peter, o simpático e ativo braço direito do estilista e tantos outros que fazem parte de uma equipe que não para. Você viverá  a criação de um cenário onírico para os desfiles e a batalha pela estampa única e o corte irretocável.

O diretor Frédéric Tcheng manteve a lucidez de cuidar da distância necessária entre os dramas de uma empresa em pleno stress de produção e troca de chefes, e um mundo onde tudo deve refletir perfeição e genialidade criados num pós-guerra sedento de beleza.

De noite, na fábrica, o filme te apresentará o que você inclusive já deveria desconfiar: No apagar das luzes, entre os moldes e alfinetes do atelier, ainda é possível ouvir os passos daquele senhor francês de calvície precoce. Um monsieur muito elegante, ligeiramente isolado, mas de grande poder criativo, que permanece atento à produção que leva seu nome. Entre as flores, as saias rodadas e as cinturas finas, exala sua assinatura, seus sonhos, e como nem tudo é só glamour, também seu suor.

 

English version:

In the 50s, the French Christian Dior revolutionized fashion. But he did not come from nowhere. For many years Dior has traveled the whole of Europe, and then suffered a serious illness. At 30 years old, already recovered, he started drawing croquis for the newspaper “Figaro Illustre.” At 33-year-old he finally become assistant of the Swiss designer Robert Piguet.
Interrupted by the Second World War, Dior was forced to serve as soldier. In 1941 he returned to work with fashion, and reunited many people in the industry.

In 1947 he managed to achieve the dream of seeing his first collection presented, which was named “New Look” by the journalists of the time. The myth was created.

Dior had recreated the luxury of women’s clothing, lost to the world wars. What were once tight corsets and long skirts, during the war turned into straight cuts and practical dresses for women’s work. All very revolutionary and convenient, coinciding with the rise of Chanel in the fashion market.

But for Dior, it was time to return elegance, inspired by flowers, and also celebrate peace.

Dior used more fabric than the average, so he was criticized, but soon became a sensation. The most famous look of the season would be the tailleur Bar. Beige coat, waist market, natural shoulders and pleated skirt, not so long, almost at the ankles. As adornments, gloves, hat, and heels.

More than 60 years later, the Maison Dior is living the glamour created by the immortal stylist.

But in 2011, after racist and ofensive comments from the chief designer (John Galliano), the brand was forced to switch artist.

With only eight weeks to create and display an entire collection, the Belgian Raf Simons accepts the challenge.

It is from here that the film Dior and I (Dior et Moi) tells his story.

You could wait many shouting and celebrity attacks in a film that talks about a luxury standard as iconic as the brand Dior. But you will be positively surprised.
No doubt you can find already expecteds cliché traces from the world of fashion, but you will also meet Florence, a struggling and humorous seamstress. Monique, another seamstress, considered one of the best in the world. Peter, the friendly right arm stylist and many others who are part of a team that does not stop.

The film invites you to understand the creation of a dreamlike setting for the catwalk and the battle to find the only print and impeccable cut.

The director Frédéric Tcheng kept lucidity to take care of the distance required between the dramas of a company in full stress of production and exchange heads, and a world where everything should reflect perfection and geniality for a postwar beauty.

At night, in the factory, the film shows that you can still hear the footsteps from that French master of early baldness. A very elegant gentleman, slightly isolated, but with great creative power. Among the flowers, skirts and tiny waists, exudes his signature, his dreams and, as nothing is just glamour, also his sweat.

More:

Dior and I Official site

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